janeiro 9, 2020

Os perigos de um caixa folgado

Por admin

Em uma empresa, seja ele de que ramo for e independentemente de seu tamanho, uma das coisas mais importantes, não me canso de repetir, é o caixa. Não é a toa que existe um provérbio empresarial dizendo que “o Caixa é o Rei!”.

Empresas quebram por falta de caixa. Eike Batista não me deixa mentir. Outras passam verdadeiros sufocos por falta de dinheiro em caixa. Vimos a maior empresa brasileira, a Petrobrás, amargar as agruras de um caixa deficitário.

Atualmente trabalho na área de saúde. Qualquer estudante de medicina sabe que a primeira análise de um paciente deve ser em relação aos seus sinais vitais: Respiração, Pulso, Temperatura e Pressão. Costumo comparar o Caixa de uma empresa à Respiração de um ser humano. A insuficiência de caixa, a meu ver, equivale à insuficiência respiratória de uma pessoa. Ou seja, se faltar a morte é iminente.

Entretanto, gostaria de comentar hoje, especificamente, sobre os perigos que ocasionam à empresa um caixa excessivamente folgado.

Qual o risco de ter o caixa folgado?

Por folgado, entenda-se, uma operação na qual esta empresa, por estar posicionada em algum tipo de atividade com alto grau de lucratividade, opera com um fluxo constante de recursos financeiros maior do que seria necessário para custear suas operações.

Isso é um fator altamente positivo. Entretanto, não é rara a ocorrência onde os recursos financeiros são tão abundantes que o caixa deixa de ser um dos focos principais do negócio. Ou seja, existe dinheiro para tudo. Por mais que negociações erradas sejam realizadas, por mais que se gaste, a folga do caixa é tão grande que a importância dada ao seu controle passa a ser um objetivo secundário.

Isso é um erro. Custos precisam ser controlados a todo tempo. As sobras de caixa devem ser eficientemente aplicadas e a organização precisa gastar única e tão somente o necessário para manter seus públicos satisfeitos, e falo aí de acionistas, clientes e empregados. Deve existir uma sobra suficiente para novos investimentos e inovação.

Quando um caixa é folgado, tende-se a acreditar que aquela situação será eterna. Diminui a preocupação com o futuro e com a perpetuidade da empresa. Criam-se novas rotinas de trabalho que talvez não fossem necessárias. Aumenta-se o quadro funcional quando possivelmente seria possível a realização dos trabalhos necessários com um número menor de pessoas.

Costuma-se criar uma super-especialização de funcionários e uma compartimentação cada vez maior nos processos produtivos. As áreas de trabalho passam a considerar-se mais autônomas e a unidade da operação pode ser comprometida.

Com isso, afrouxa-se a vigilância necessária e, de repente, aparece no mercado um novo concorrente, um produto mais adaptado ao mercado e com melhores preços, uma nova tecnologia que inviabiliza os serviços sempre tão rentáveis que eram oferecidos.

Quando isso acontece, a primeira reação é a da negação. “Ora, isso não nos afetará! É apenas um modismo, coisa passageira.” A IBM no mundo caiu nessa armadilha quando não deu importância ao surgimento dos computadores pessoais.

Quando diminui o market-share, os responsáveis percebem que a coisa é para valer e somente então decidem buscar uma solução. Mas mesmo então, é comum colocar a culpa em fatores externos. O resultado é uma demora maior ainda na solução do que poderia ter sido evitado.

Quando a empresa finalmente acorda, pode não haver mais tempo para a recuperação. A busca de soluções mágicas, a sofreguidão e o corte indiscriminado e tardio de custos não mais resolverá a situação e o fim pode chegar a passos largos. E aquele belo produto, de alta qualidade, que poderia ter evoluído e mantido seu mercado é enterrado de vez junto com a empresa.

Quem quiser, analise os passos da Nokia telecomunicações, da Blackberry, do Banco Santos, do Bamerindus… Todos passaram por problemas de caixa, de folgados a inexistentes.