janeiro 9, 2020

Não existe Produto sem Serviço

Por admin

Com o advento da crise econômica o serviço assume uma importância astronômica na economia global. Hoje, basicamente vivemos em uma economia de serviços, cerca de 60% da economia global vem da indústria de serviços. Entretanto, é necessário reconhecer a força do serviço, sobretudo nos países em desenvolvimento. Falar de serviço é falar de pessoas, capital humano. Precisamos urgentemente desenvolver nosso capital humano com a mesma velocidade e força da tecnologia. Precisamos na verdade compreender os serviços antes mesmo da própria economia.

O serviço precisa ser executado na forma mais explícita possível até mesmo na indústria. Ao contrario do que acreditamos, o serviço está presente em quase todos os setores da economia. E é por essa razão que o serviço é a nova força da economia global. Entretanto, é necessário profissionalizar o serviço, ou seja, qualificar pessoas, transformar o elemento humano em capital humano. Isso não é tarefa fácil. Principalmente em um país a onde a maioria das pessoas nem sequer sabe o que é um serviço. Em pleno século 21.

O serviço é tudo aquilo que uma parte transmite a outra e que não resulta na propriedade de nada, ou seja, no serviço não há transferência de propriedade. No Brasil ainda há uma certa dificuldade em perceber a diferença entre produtos e serviços e, por conta disso, o país sofre com a falta de competitividade, geração de emprego e renda. Com a crise global, os países em desenvolvimento tornaram-se mercados competitivos. Porém, o governo não procura investir na profissionalização do serviço.

Com a chegada das férias, a demanda por serviço vai crescer a cada dia e o país não vai estar pronto para atender às necessidades e desejos dos atletas, dos turistas e nem do próprio país. Precisamos urgentemente compreender que não podemos oferecer um produto sem oferecer o serviço.

E que o serviço não pode ser apenas um complemento do produto. O serviço é parte essencial do produto. À medida que estamos vendendo um produto estamos também vendendo um serviço (imagem). Essa é a razão, causa, motivo pelo o qual o serviço ainda é muito rudimentar no Brasil.

As universidades, na minha opinião, também têm sua parcela de culpa. São muitos os profissionais que deixam as universidades sem saber exatamente o que é um serviço, e pior, profissionais da área. Por exemplo, um médico, antes de tudo, precisa ter consciência de que ele é um provedor de serviços, ou seja, a profissionalização do serviço é extremamente importante na medicina.

E isso é só um exemplo dos milhares que temos no Brasil. Enquanto que nos Estados Unidos o serviço é tratado com respeito e dignidade, afinal 70% da economia do país vêm do serviço, no Brasil assistimos à luz de velas a falta de respeito e dignidade pelo serviço. Acredito que o Sebrae poderia chamar a atenção das micro e pequenas empresas sobre a importância do serviço.

Por fim, entendo que o governo e as universidades têm um papel importante no processo de profissionalização do serviço. Entendo também que o empresário tem o seu papel nesse processo. Mais precisamos deixar de lado o discurso empresarial de que em teoria toda empresa oferece treinamento. Não adianta oferecer treinamento que só atende às necessidades da empresa.

Precisamos de treinamento que atenda as necessidades e exigências do mercado (cliente). Contudo, algumas empresas no Brasil estão tendo lucros cada vez maiores, oferecendo serviços cada vez piores. Na minha visão, por falta de competitividade e por negligência do próprio governo em não exigir das empresas qualidade no serviço. Inclusive no serviço público.