Carros e gastos fantasmas

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Em todo bem adquirido, os consumidores devem listar precisamente antes da aquisição, todos os custos e despesas envolvidas para avaliar de forma racional a viabilidade da compra. Infelizmente, por falta de detalhas ou até mesmo ofuscados pela ansiedade do momento, muitos compradores esquecem que perderão custos importantes para a compra e manutenção de um bem, os custos que chamo de gastos fantasmas. E acredite, eles poderão lhe colocar em uma posição financeira indesejada.

Nos últimos anos, para qualquer cidade que se olhe, o aumento de veículos em circulação aumentou significativamente e talvez o carro próprio seja um dos melhores exemplos para ilustrar o impacto que gastos não apurados podem causar em um planejamento financeiro pessoal. Com todo incentivo do governo e da indústria automobilística para a aquisição desse tipo de bem, quem ainda não tem um veículo ou pretende aumentar a frota familiar, muito provavelmente dento do último ano deve ter pensado em “aproveitar o bom momento” e realizar o desejo do carro próprio.

Mas será que a equação fica viável se fizermos uma leitura completa de custos? Recentemente estive ajudando um amigo que passou maus momentos por conta da falência de sua empresa e um dos pontos que trazia mais insatisfação a rotina atual dele é que estavam dividindo um carro entre o casal e a logística deste operacional estava impactando negativamente a produtividade do dia a dia deles.

Ok para o primeiro item do check list: o motivo. Vamos ao segundo: a “conta fecha”?

A leitura inicial (muito contaminada pelo desejo da compra) deste casal foi que eles suportariam o custo do financiamento e do seguro com certo esforço já que não conseguiriam concluir a compra a vista. Porém, quando avançamos para uma apuração mais detalhada, a aquisição mudou a sua configuração significativamente.

A realidade do casal era a seguinte:

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  • Pretendiam comprar um veículo de R$ 38.000
  • O veículo seria financiado 100% pelo leasing da empresa do marido
  • Eles podiam suportar um custo mensal de mais ou menos R$ 1.000 (que segundo a conta que fizeram, era o suficiente para pagar a parcela de R$ 600 do veículo, a parcela de R$ 100 do seguro e sobrar R$ 300 para o combustível)

A princípio, estava tudo certo para a aquisição e eles queriam a minha opinião pois estariam deixando de aplicar esses R$ 1.000 na previdência privada da aposentadoria deles e queriam avaliar o quanto o bem, mesmo com a depreciação de mercado  de 12% ao ano, atuaria na estrutura patrimonial deles.

Como percebi certo impulso e falta de maturidade financeira nessa problemática, antes de iniciar a leitura que me foi solicitada, fiz questão de contabilizar junto com eles uma estrutura de custos mais próxima da realidade. O levantamento que fizemos ficou assim:

  • Parcela do veículo: R$ 600
  • Parcela do seguro: R$ 100

– combustível: R$ 450 (atualmente os dois utilizam 7 tanques no mês. por não dividirem mais o veículo, projetei uma redução de 1 tanque no total e dividi por 2). O excedente foi de R$ 150/mês, ou R$ 1.800/ano.

  • IPVA (4% do valor do veículo): R$ 1.520/ano
  • Provisão para 1 multa por ano: R$ 300/ano
  • Manutenção e revisão (2 ao ano e pequenas trocas): R$ 1.000/ano
  • Estacionamento (o carro não teria estacionamento na empresa e o valor do parking era de R$160/mês, ou R$1.920/ano.
  • Não contabilizamos nenhum sinistro no seguro já que o histórico dos dois não apresentou nenhuma incidência até então

O custo inicial do casal, que era de R$ 1.000/mês, ou R$ 12.000/ano, ficou assim:

  • Custo anual total de R$ 18.540
  • Trazendo em valores mensais, o custo total por mês foi de R$ 1.545, que representa 54% a mais do que tinham planejado.

O valor de R$ 6.540/ano adicional ao que tinham planejado, que representava 17,21% do valor do veículo, definitivamente não estava nos planos desse casal, o que nem nos permitiu partir para a leitura da depreciação do bem e da avaliação patrimonial. Eles definiram aguardar mais um pouco, investir no aumento de renda e fazer uma nova avaliação num momento futuro.

Fiz questão de trazer este exemplo prático, afim de tangibilizar equívocos de avaliação de consumo que observo constantemente nos compradores mais impulsivos ou menos realistas em termos de controle financeiro. Os gastos fantasmas existem e estão presentes em quase todos os consumos. É de extrema importância que os tenha totalmente sobre controle e contabilizados em seus relatórios financeiros para que não surjam surpresas desagradáveis após a sua compra.

Caso não se sinta apto a fazer essa avaliação, faça como este casal e procure um apoio profissional para identificar a viabilidade da compra em sua conjuntura. Lembre-se que a melhor compra é sempre a compra consciente.

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